Novas gerações podem ver milhares de animais desaparecerem devido à coextinção resultante das mudanças climáticas

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Uma pesquisa publicada na Science.org afirmou que 10% dos animais terrestres podem desaparecer em consequência das mudanças climáticas. O número, maior que outras pesquisas sobre a perda da biodiversidade, evidencia o papel dessa crise dentro da teia alimentar.

De acordo com especialistas envolvidos no estudo, análises anteriores sobre o assunto subestimaram os impactos das mudanças climáticas e da perda de habitat na biodiversidade. E, embora os efeitos de ondas de calor, queimadas e secas já tenham sido considerados, a comunidade científica negligenciou a consideração da extensão das coextinções.

A coextinção é um conceito sugerido por Darwin. Ao observar a biodiversidade de Madagascar, o biólogo notou que se mariposas polinizadoras especialistas de uma orquídea endêmica entrassem em extinção, o mesmo aconteceria com as orquídeas.

Desse modo, a coextinção refere-se ao fenômeno de perda ou declínio de uma espécie hospedeira que resulta na perda ou perigo de extinção de outra espécie dependente.

“Pense em uma espécie predadora que perde sua presa para as mudanças climáticas. A perda da espécie de presa é uma ‘extinção primária’ porque ela sucumbiu diretamente a um distúrbio. Mas sem nada para comer, seu predador também será extinto (uma ‘coextinção’). Ou imagine um parasita perdendo seu hospedeiro devido ao desmatamento, ou uma planta com flor perdendo seus polinizadores porque fica muito quente. Cada espécie depende das outras de alguma forma.”, disse o professor da Flinders University, Corey Bradshaw, co-autor do estudo.

Até então, cientistas não haviam conseguido interconectar espécies em uma escala global para estimar quantas coextinções poderiam ocorrer frente às mudanças climáticas. No entanto, a nova pesquisa conseguiu criar uma estimativa através do uso da tecnologia.

Usando computadores, os cientistas envolvidos na pesquisa criaram uma simulação virtual da Terra e de 15 mil conexões da teia alimentar. Assim, ao projetarem condições similares às das mudanças climáticas, conseguiram ter uma noção maior do seu impacto sobre a biodiversidade terrestre.

Ao analisar um cenário de altas emissões de gases do efeito estufa, que prevê um aumento médio da temperatura global de 2,4ºC até 2050, os especialistas acreditam que os ecossistemas terrestres podem sofrer com a perda de 10% da biodiversidade até 2050. Esses dados indicam uma perda 34% maior do que os números que apenas consideram extinções primárias.

“Comparado com as abordagens tradicionais para prever extinções, nosso modelo fornece uma visão detalhada da variação nos padrões de diversidade de espécies, respondendo à interação do clima, uso da terra e interações ecológicas. As crianças nascidas hoje que viverão até os 70 anos podem esperar testemunhar o desaparecimento de literalmente milhares de espécies de plantas e animais, desde as minúsculas orquídeas e os menores insetos, até animais icônicos como o elefante e o coala… tudo em uma vida humana.”

Em geral, os especialistas esperam que sua pesquisa possa ajudar os governos a identificar quais políticas levarão a menos extinções.

De acordo com os dados levantados, por exemplo, eles acreditam que a redução das emissões de carbono que limita o aquecimento global para 3ºC até o final deste século pode, também, limitar a perda da biodiversidade em 13%.

Fonte: ciclo