Polícia investiga cemitério clandestino de animais em imóvel de mulher presa suspeita de maltratar mais de 200 cães

Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Polícia Civil investiga um cemitério clandestino de animais no imóvel da mulher suspeita por manter mais de 200 cachorros em situação de maus-tratos em Curitiba. Corpos de cães foram encontrados em covas rasas no local.

Maria Inês Demeterco era monitorada pela prefeitura da capital há pelo menos nove anos. Ela foi presa e deixou a cadeia após pagar fiança na sexta-feira (20).

Segundo voluntários, eles perceberam a situação quando foram puxar uma sacola que apareceu e encontraram o corpo de um cachorro.

“Nós já verificamos que existe uma espécie de cemitério improvisado no ambiente. Então a prefeitura e o instituto que toca o local estão mobilizando para retirar todos esses animais que foram enterrados de forma improvisada numa cova rasa”, afirmou o delegado Guilherme Dias.

Na última quinta (19), uma operação resgatou 223 animais da residência dela no bairro São Lourenço. Eles estavam sem comida, água e, segundo a polícia, alguns não sabiam andar por viverem há anos dentro de caixas de transporte.

Monitoramento

A prefeitura informou que a Rede de Proteção Animal de Curitiba possui um programa de monitoramento de pessoas que cuidam de um número excessivo de animais e que Maria Inês era uma delas.

Ainda conforme o município, ela comprovava os investimentos em alimentação e cuidados médicos dos animais “apesar do espaço, realmente, não ser o ideal para a quantidade abrigada”.

A defesa da mulher afirmou que ela pediu socorro à Prefeitura de Curitiba várias vezes, sempre informando o estado real do canil.

A prefeitura confirmou ter recebido os pedidos de ajuda e disse ter atendido às solicitações, promovendo atendimentos clínicos básicos, vacinação, microchipagem, castração e fornecimento de ração.

Além disso, disse que, em nove anos, recebeu várias denúncias de vizinhos, mas que a mulher nunca aceitou doar os animais.

O município afirmou ainda que uma ação judicial fez com que Maria Inês perdesse parte do patrimônio, agravando a situação dos animais.

Em depoimento à polícia, a mulher reconheceu que os animais estavam magros, mas afirmou que estava passando por problemas financeiros, o que dificultava a compra de ração suficiente.

Resgate

Desde o dia do resgate voluntários trabalham no local. Eles são responsáveis por cuidar do espaço, escovar e dar carinhos para os animais, entre outras atividades.

“A emoção toma conta de todo mundo em primeiro lugar. O amor toca no coração de ver o cãozinho ali sofrendo. Muitos deles nunca tinham visto a luz do dia, então choca, né”, afirmou a voluntária Mayara Moraes.

Os cães resgatados estão sob responsabilidade do Instituto Fica Comigo, uma organização sem fins lucrativos que atua na proteção de animais.

A ONG informou que eles estão passando por atendimento veterinário e serão disponibilizados para adoção responsável. A maior parte deles, segundo o Instituto, está castrada e vacinada.

Vinte animais já foram encaminhados para novas famílias. Interessados em ajudar ou adotar podem entrar em contato através das redes sociais: @institutoficacomigo_.

Denúncia

A polícia foi acionada por vizinhos que reclamaram do forte odor vindo da residência no bairro São Lourenço. Na região, comércios chegaram a fechar as portas por conta do cheiro.

Por conta disso, o delegado frisou a importância da população acionar os órgãos competentes em caso de registros de maus-tratos aos animais.

Denúncias podem ser feitas em boletim de ocorrência pela internet, de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181, ou pessoalmente na delegacia mais próxima.

Fonte: G1